Educação de ponta
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Os países que visam como meta a educação e o desenvolvimento cientifico têm um pilar a mais ou uma ferramenta a mais para enfrentar desafios econômicos, energéticos, ambientais e, porque não, políticos. Os países escandinavos são um exemplo consolidado há muitas décadas, depois surgiram os Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura) a partir da década de oitenta e, atualmente estão despontando países do Golfo Pérsico.
O que têm em comum esses países?
O pesado investimento feito na formação de capital humano altamente qualificado em universidades de elite do mundo inteiro, porém o mais importante é haver propiciado o retorno desse pessoal ao próprio país para centros de pesquisa e universidades bem estruturadas.
Eis aí a diferença!
O retorno desse pessoal formado no exterior é acolhido em centros de pesquisa que tem semelhantes condições acadêmicas para continuar desenvolvendo seu trabalho. Isso significa investimento eficiente e adequado em laboratórios, bibliotecas, centros de cultura, oficinas, salas de professores, em resumo fornecer condições aos que chegam a aos que já fazem parte do corpo acadêmico para que o avanço na pesquisa continue e se consolide.
A criação do Masdar Institute of Science and Technology (http://www.masdar.ac.ae) pelos Emiratos Arabes Unidos (EAU) nas proximidades da cidade de Abhu Dhabi é um exemplo dessa visão de futuro no que diz respeito aos desafios citados no primeiro paragrafo.
Para começar, os criadores fixaram como missão: “….To be a world-class, graduate-level institution, seamlessly integrating research and education to produce future world leaders and critical thinkers in advanced energy and sustainability…” Traduzindo, “Ser uma instituição de pós-graduação com inserção mundial, integrando perfeitamente educação e pesquisa para formar futuros lideres mundiais e pensadores críticos de ponta nas áreas de energia e sustentabilidade”.
Todavia, seus fundadores definiram os objetivos do MIST como:
i) estabelecer e buscar continuamente formas avançadas de energia e sua sustentabilidade e
ii) educar estudantes para ser inovadores com a amplitude e profundidade necessárias para desenvolver tecnologias e empresas, seja regional ou globalmente.
Contextualizando, o Instituto Masdar foi instalado num pais de extremo calor, ou seja, de grande incidência solar e com recursos de combustíveis fósseis abundantes, mas finitos. A comercialização desses recursos – gás natural e petróleo – tem financiado o Instituto a um custo de US$ 19,8 bilhões de dólares, que inclui o centro urbano da cidade universitária de Masdar. O fato é que antevendo o fim do petróleo, os gestores dos EAU estão se antecipando na formação de capital humano e desenvolvimento tecnológico para os tempos pós-petróleo, visando a exploração dos recursos naturais renováveis naquela região, a saber; sol e vento. Planejando dessa forma, a continuidade da prosperidade econômica e urbana do país mediante a garantia da oferta de energia proveniente de painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas. Pensar ambiciosamente na área de educação nunca está demais, pois traçando politicas públicas educacionais de largo alcance e de longo prazo é que se definem estrategicamente os rumos do país. A aquisição de conhecimento e o desenvolvimento de tecnologias energéticas e ambientais será o diferencial do Instituto Masdar e, por tabela dos EAU.
Trazendo esse exemplo para nossa realidade, gostaria de compartilhar que estamos no momento chave para definir os caminhos energéticos de Mato Grosso do Sul, a politica energética do estado perpassa necessariamente pela percepção da disponibilidade de recursos naturais renováveis – biomassa e água – e como potencializar sua utilização de forma integrada com a economia e de forma ambientalmente sustentável. Nessa meta, a UFGD deve assumir um papel fundamental na discussão de politicas, na formação de profissionais e na elaboração de propostas e projetos. Obvio que nada disso se tornará tangível se, os dirigentes e administradores do governo, do estado e da UFGD não tomarem ciência da importância histórica dessa tomada-de-decisão politica e, sobretudo, da necessidade de investimentos para tornar essa ideia uma realidade. O investimento para uma politica energética baseada na biomassa pode ser cara inicialmente, contudo basta lembrar que os desvios do sistema de corrupção na Petrobras já somam mais de R$ 30 bilhões e beneficiaram a uns quantos em detrimento de todo um país.O blog que eu preciso de ajuda é (visível apenas para usuários que efetuaram login).
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