Eu

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    No fundo sou um destino vago, e os olhos, esses dois globos que orbitam 24 horas por dia ora dormindo ora acordados, são dois viajantes a procura de um azul em tão indistintas paisagens; viro-os para lá de si, para o interior: tomo que é para aí onde a viagem se faz necessária. Solto, portanto, os pássaros do silêncio para que me rasem por dentro o corpo, sua droga meditativa, seus entorpecentes mágicos; deixo as mãos curiosas da retina lavarem-se nesse rio que é o sangue singrando em seu venal caminho, acalentarão a alma que me é distante e enevoada.
    Por que razão me é dolente esta substância? Pergunto. Se é somente ai onde eu vivo e me guardo e me transfiguro para o que a vida me elege como desafio. Por que então tanto castanho, tão plúmbeo este corpo que sou? Deus que é puro e omnipresente não me chegará certamente, não tocará as minhas feridas porque, a mim, Ele me é só possível quando á alma empresto essa função comunicativa para que se traduzam os meus choros e minhas poucas alegrias num gesto que comova o Divino. Por isso deixo que esses potros que são os meus olhos sigam à estalagem que é o coração, talvez aí encontrarão um pouco de beleza que me é imprescindível para viver, e se me acontecer lograr esse intento, serei de entre tantos o mais feliz peregrino.

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