UM GOVERNO (cozido) COM TODOS

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    Este é um Governo de todos
    De quem tem tudo e nada tem
    Dos que vivem da soberba
    Dos que têm sempre verba
    E de quem não tem vintém…
    Dos políticos irrevogáveis
    Dos colunistas prestáveis
    Dos dissimuladores intragáveis
    E dos que sendo tão instáveis
    São por isso IRRESPONSÁVEIS!
    Dos fiéis e dos traidores
    Dos padres e dos estupores
    Das procissões e dos andores
    Dos grandes facilitadores
    E dos contraltos e tenores.
    De gente chiquérrima e de fama
    Que na sua opulência insana
    É dono dos bens e da derrama
    De quem uns nomes lhes chama
    E dos que dormem na sua cama!
    Dos pobres e dos patrões
    Dos gigantes e dos anões
    De louvores e de traições
    Dos indecentes e vilões
    E também duns cagalhões!
    Dos futebolistas e cantores
    De Dentistas e Doutores
    De grandes comentadores
    Duns tantos arrumadores
    E também dos LAVRADORES!
    Dos rendistas e prestamistas
    Dos CEO e accionistas
    De banqueiros e economistas
    Dos maqueiros e camionistas
    E também dos PENSIONISTAS!
    De deputados constituintes
    De ladrões e dos pedintes
    Dos leitores e dos ouvintes
    Dos de Gaia e dos de Avintes
    E também dos CONTRIBUINTES!
    Dos órfãos e afortunados
    Dos ricos e deserdados
    De funcionários acomodados
    Dos em pé e dos sentados
    E também dos REFORMADOS!
    Dos farsantes e tratantes
    De professores e estudantes
    Dos que são muito importantes
    Dos ciganos retirantes
    E é também dalguns FEIRANTES!

    Dos relapsos e dos resistentes
    Dos fanáticos independentes
    Dos que usam aparelho nos dentes
    Dos que estão sempre doentes
    E dos ANTIGOS COMBATENTES!
    Dos incineradores e das velas
    Dos cacos e das panelas
    Dos guardas e sentinelas
    Dos que emprenham pelas orelhas
    E também das LINHAS VERMELHAS!
    Dos famintos e ranhosos
    Dos ulcerados e leprosos
    Dos desconhecidos famosos
    Dos ressabiados rancorosos
    E também de muitos manhosos!
    De fadistas e marialvas
    Das cuecas e das fraldas
    Dos toureiros e das malvas
    Dos foguetes e das salvas
    Das Matildes e das Mafaldas.
    Dos que pensam no futuro
    Dos que na vida dão duro
    Dos que vivem no obscuro
    Dos que anseiam por um furo
    E dos que gostam de um PURO!

    Charuto ,claro está
    E não sendo ideia má
    Fartos dos que estão cá
    Sendo tudo gente sã
    Mandam-nos emigrar para lá!
    De gente do Pimba e do Fado
    Dos que julgam que é pecado
    Estar atento e informado
    Não andar desafinado
    E manter-se sempre educado.
    Dos Homens e das Mulheres
    Dos pratos e dos talheres
    Dos jacintos e malmequeres
    Dos dóceis e dos berberes
    Dos Sargentos e dos Alferes!
    Este é o Governo de todos
    De ninguém sem excepção
    Dos fortes e dos sem pão
    Dos mandantes e burgueses
    DE TODOS O GOVERNO É,
    MENOS DOS PORTUGUESES!

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