dandarocncersemiluso
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| Membro | maio 23, 2020 (6 anos) |
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Biografia
Fui diagnosticada com câncer de mama metastático em 2016. Estava no auge da minha vida: casamento perfeito, sem dívidas, com uma filha de 2 anos, com boa aparência física, alimentação adequada, praticante assídua de exercícios físicos e atuanteno voluntariado, sempre ajudando pessoas. Além do mais, eu havia feito uma cirurgia cerebral que foi um sucesso. Essa doença não está relacionada ao câncer.
Nesse mesmo ano, criei o grupo de voluntários colaboradores do bem Tubarão e região, ainda antes da cirurgia.
Tinha tudo para ser O ANO da minha vida, mas veio o diagnóstico de câncer e pôs tudo abaixo. Sofri décadas da minha vida com uma doença chamada distonia, ou seja, desde criança. Quando operei, tive a impressão de estar renascendo, mas 3 meses depois, na verdade, eu saberia que estava morrendo.
O chão abriu. O diagnóstico tardio se deu por conta de erro médico, falha de diagnóstico. Tratei de um câncer como se fosse displasia mamária e ele cresceu muito. Foi de 0,9 para 8 cm em 8 meses. Então já havia comprometido os linfonodos.
Daí pra frente, apesar de eu sempre ter pensamento positivo, as coisas foram decaindo. Uma série de cirurgias, procedimentos, tratamentos, receitinhas, mutilações, complicações, metastáses, orações... desde agosto de 2016, não sei o que é passar um dia sem pensar em morte, sem temer. Piora quando mais um se vai e é aí que as dúvidas surgem: fé, pensamento positivo, justiça, Deus...
Hoje, estou novamente em quimioterapia. Se der certo, será até o fim. Se não der, significa que é o fim. Estou perdendo os cabelos novamente e se tudo der certo, pra sempre. Tenho muito cansaço e dor por causa da quimioterapia. Também estou quase 25 quilos acima do peso, embora me exercite na medida do possível. Autoestima é baixíssima e nada disso tem lado bom. Impossível ver bondade no que nos mata, mas é possível ter vida no caminho, mesmo que ele seja mais curto e esteja nos levando à morte.
Tenho 40 anos, um marido de 38, uma filha de 6. Preciso ter vida por mim e por eles que me amam tanto. Dá pra ser feliz vivendo um pesadelo porque esse sentimento não é universal, não é o único que tenho. O medo é meu, mas a família e os amigos se empenham tanto em fazer a minha vida menos dolorosa, que se tornam ainda mais fortes do que a dor. Em resumo, eu sou feliz, mas seria infinitamente mais se não fosse o câncer, pois eu já era muito feliz e grata. Nunca precisei de um "sacode" para dar valor às coisas e pessoas. Ainda assim, ele veio e eu estou aqui "morrendo enquanto viver", buscando a melhor maneira de passar por isso e conseguindo porque, apesar de tudo, tenho uma força que chega a me assustar. Mentir ou se iludir não diminui o problema. É sério, é grave, é fatal. Não consigo romantizar isso, mas o "extra câncer " é romântico e feliz. Tento equilibrar, pois o caminho que tenho percorrido em direção irreversível a uma morte precoce e sentida dia após dia, passa por paralelos que têm felicidade,
vida, realizações... CÂNCER, esse é o nome e ele não me ensinou e nem me deu nada. O que eu tenho de bom, já era meu. Porém, muito do que eu perdi, foi ele quem tirou.
Danda Ro