renatajournal
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Bio
Sou artista visual e minha pesquisa poética possui três principais focos: o corpo, a casa e a cidade. O início da minha pesquisa deu-se em 1994. Meus primeiros trabalhos tridimensionais eram peças feitas com materiais efêmeros como tecidos, gazes com aplicações de látex, estruturados em arames. As peças eram penduradas na parede ou suspensas por cabos presos ao teto, encontravam apoio nos planos de um ambiente fechado. A suspensão enfatizava a instabilidade e a “moleza” das peças.
Em 2001, ano em que ingressei na pós-graduação da ECA-USP, teve início a criação de trabalhos para áreas urbanas. Reuni na dissertação de mestrado as experiências anteriores e posteriores às intervenções públicas. A primeira experiência de intervenção em áreas públicas foi a obra Maior do que um. Este trabalho resultou de projetos para construção de módulos instalados um após o outro, criando um volume adequado às especificidades do lugar em que foi colocado, a Praça Júlio Prestes (São Paulo). Escrevi um texto sobre este trabalho para o volume 11 da revista Chain, do Departamento de Letras da Temple University na Filadélfia, EUA. Posteriormente, organizei e produzi uma publicação intitulada De 2002 a 2005 em que apresentei as experiências com intervenções públicas feitas naquele período.
Simultaneamente às intervenções em áreas públicas, prossegui uma pesquisa com materiais efêmeros que operam de maneira semelhante às construções informais e temporárias que vejo pelas ruas da cidade, mas que são instalados em ambientes fechados, como em Caixas e Caixas, um projeto para o SESC Pinheiros em São Paulo. O projeto consistia na confecção e montagem de arranjos de caixas de madeira ripada ao longo de quinze dias. A cada dia o número de caixas aumentava, um acúmulo progressivo que resultou em diversas ocupações espaciais. Este trabalho fez pensar no uso do vídeo como uma forma de trabalhar a mesma pulsação de fazer e refazer as caixas, de compor e decompor os arranjos.
Em 2009 criei uma instalação sonora para o MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto – intitulada Som e Fúria. Trata-se uma instalação composta de quatro caixas de som sobre tripés dispostas uma em cada canto da sala de exposição; cada caixa emite o som de uma voz recitando um trecho do livro homônimo do escritor William Faulkner, em loop; para cada caixa de som uma voz masculina diferente. Em duas paredes paralelas da sala são penduradas folhas, em branco, de papel japonês ultra-fino, sendo dispostas cinco folhas de cada lado, presas por pequenos pregos sem cabeça.
No mesmo ano, ingressei no doutorado, também na ECA-USP. Na tese, intitulada Zona, a intenção foi realizar uma reflexão e análise sobre um conjunto de trabalhos que estabelecem uma relação orgânica entre as ações de passar pela cidade, fazer desenhos de observação e transformar essas imagens em sequências de vídeos, stop-motions ou em impressões off-set. A intenção desses trabalhos é abordar os contrastantes da cidade, as imagens espetaculares bem como sua contrapartida, as imagens de degradação.
Em 2015 publiquei um ensaio fotográfico Casa, Cidade na ARS, revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O ensaio é composto de quatro fotografias analógicas que retratam construções urbanas no limiar entre o espaço público e o espaço privado. Neste ano, também participei de uma residência no EKWC, European Ceramic Workcentre (Oisterwijk, Holanda), um centro de excelência técnica em cerâmica na Holanda. Durante a residência produzi três trabalhos: Condomínio Pau a Pique, Nuvem Negra e Resto. Condomínio Pau a Pique e Nuvem Negra foram feitos em cerâmica a partir do molde de um paralelepípedo aberto em uma das faces com a mesma textura e cor das construções de pau a pique.
No vídeo Resto uso imagens gravadas dos arredores do prédio que abriga o European Ceramic Workcenter, uma fábrica desativada em Oisterwijk na Holanda. No momento da residência o centro de arte passava por um processo de requalificação e por isso possuía resquícios do antigo uso: sucatas de máquinas intercaladas por montes de lixo industrial. Captei as imagens ao longo de vários dias e depois editei-as com legendas em português extraídas do filme O Cavalo de Turim (2011) do cineasta húngaro Béla Tarr.
Em 2016 os trabalhos feitos durante a residência na Holanda foram expostos na Galeria Virgilio. Também fez parte da exposição o trabalho Radar, composto de uma estrutura de ferro recoberta com papelão e quatro fotografias analógicas de aviões de papel. A estrutura recoberta de papelão reproduz a forma de um espelho acústico de concreto semelhante aos construídos na 1o Guerra Mundial.
Ainda em 2016, o livro Cem Terras foi publicado pela editora Annablume. A motivação para criação do livro estava em reunir as fotografias da instalação Terras (2011) que mostram as bordas urbanas, as fronteiras de São Paulo na forma de terras vazias, imagens férteis para se pensar a cidade. Tais imagens são registros do solo que não pode ser visto na cidade, da terra que está por baixo das construções e que só está à vista nos limites urbanos. Assim reunidas, compõem uma sequência de paisagens muito semelhantes entre si, uma repetição banalizada de terras, uma espécie de transgenia da imagem.
No ano seguinte, iniciei o pós-doutorado no Instituto de Arquitetura e Urbanismo USP, São Carlos. O objetivo principal do projeto foi pensar a paisagem da cidade de São Paulo para além da sua aparência simbólica por meio de uma abordagem alegórica das ruínas. Com foco nas ruínas da primeira fase da industrialização que ocupam os arredores da linha férrea do zona leste da cidade de São Paulo, a proposta foi produzir um trabalho visual, Sobras, uma vídeo instalação composta de três vídeos. Nesta instalação, imagens das janelas das ruínas das fábricas, acompanhadas da narração do ritual de entrada no campo de concentração de Auschwitz do livro Os afogados e os sobreviventes de Primo Levi, são multiplicadas em três monitores. A concomitância das imagens e do som intensificam o embaralhamento das vozes e a pulsação das janelas, que são apresentadas ao lado do vídeo que mostra o ciclo diário, solitário e ininterrupto de um trabalhador, ação esta inspirada na peça Ato sem Palavras II, de Samuel Beckett. Ao mesmo tempo, na parede adjacente, no monitor de 10 polegadas, o mesmo trabalhador é visto de cima e a distância, do ponto de vista de uma câmera de vigilância. Assim articulados, os vídeos buscam evidenciar o deslocamento do trabalhador assalariado e controlado no interior das antigas fábricas para o trabalhador precarizado, autogerido e constantemente monitorado.
Corpo, Casa, Cidade são os assuntos que mais interessam para minhas criações visuais em diversas mídias tais como objetos, desenhos, fotografias, vídeos, instalações e intervenções urbanas e que são expostas regularmente em museus, centros culturais e galerias, no Brasil e exterior.
http://www.renatapedrosa.com.br